A PELE

 

Tecido e suas complexidades

 

Há mais de 150 anos, a pele foi descrita por Virchow como um envoltório com função de revestimento e proteção a órgãos mais complexos. Durante os últimos anos, no entanto, estudos têm demonstrado que a pele também é um órgão funcionalmente sofisticado. Suas interações celulares e moleculares são complexas e ocorre renovação e reparo de seus componentes a todo o momento. É um tecido altamente dinâmico, capaz de responder a alterações no ambiente externo e interno e isto permite que muitas das manifestações do organismo se expressem por alterações cutâneas. O controle hemodinâmico, o equilíbrio hidro-eletrolítico, a termorregulação, o metabolismo energético, o sistema sensorial e a defesa contra agressões externas dependem da sua viabilidade. A pele desempenha funções específicas em cada região do corpo e as estruturas que a compõem variam de acordo com o sítio anatômico. As regiões palmo-plantares, por exemplo, possuem uma maior queratinização e ausência de pêlos, e estão mais adaptadas à abrasão. As extremidades das falanges distais possuem grande número de receptores sensoriais, o que determina uma elaborada função tátil. As regiões ungueais adquirem uma espessa camada de queratina durante a diferenciação celular, caracterizando a rigidez das unhas. Além disto, as mudanças que acometem uma determinada região da pele envolvem mecanismos os quais englobam uma série de componentes celulares e segmentos cutâneos.

 

 

 A pele constitui uma importante barreira contra agressores físico-químicos (abrasão, corrosão etc.) e biológicos (microorganismos, proteínas estranhas e outros). Os mecanismos de defesa variam desde a secreção sebácea, com ação protetora e antimicrobiana, até as mais específicas e complexas funções imunológicas. O agente agressor externo representa um estímulo nocivo capaz de ativar vários mecanismos de adaptação celular. Quando as mudanças adaptativas não são possíveis, ou ocorrem em excesso, instalam-se danos celulares que, dependendo do estágio, podem ou não ser revertidos. Caso o estímulo seja severo ou persistente, sucedem danos celulares irreversíveis e morte celular. Estímulos exógenos por danos químicos, em particular, geram morte celular por necrose, que se manifesta pela tumefação ou ruptura das células, desnaturação e coagulação das proteínas citoplasmáticas e falência das organelas celulares. Os estímulos também podem provocar reações complexas da vasculatura do tecido conjuntivo (derme), fenômeno conhecido como inflamação. 

 

A resposta inflamatória é um mecanismo de proteção do organismo, uma resposta imunológica geral e inespecífica de tecidos vascularizados. O objetivo é livrá-lo das causas e consequências dos danos celulares pela destruição, diluição ou confinamento do agente. Durante a inflamação também ocorre reconstituição do tecido lesado. A inflamação e o reparo, no entanto, podem ser potencialmente nocivos, como ao produzirem reações extremas de hipersensibilidade e cicatrizes desfigurantes. As reações inflamatórias podem ser agudas ou crônicas. Quando agudas têm duração de no máximo alguns dias. Suas características principais são a presença de exudato (líquido inflamatório extravascular com concentração protéica elevada e grande quantidade de restos celulares) e migração de leucócitos.